sexta-feira, agosto 24, 2007

Moral e estilo

Qualquer escritor pode fazer a experiência de que quanto mais precisa, escrupulosa e adequada ao assunto for a maneira de ele se expressar, tão mais difícil de se compreender será considerado o resultado literário, ao passo que, a partir do momento em que formular de forma um tanto relaxada e irresponsável, ver-se-á gratificado com uma certa compreensão. De nada adianta evitar com ascetismo todos os elementos de uma linguagem especializada, todas as alusões à esfera cultural que não existe mais. Ao contrário, o rigor e a pureza da articulação lingüística, por maior que seja a sua simplicidade, criam um vácuo.
(...)
A rigorosa impõe uma compreensão inequívoca, um esforço conceitual, do qual as pessoas perderam o hábito, exigindo delas diante de todo conteúdo a suspensão dos juízos habituais e, deste modo, um certo afastamento, a que elas resistem violentamente. Apenas aquilo que elas não precisam compreender primeiro é tido como compreensível; só aquilo que, em verdade, é alienado, a palavra cunhada pelo comércio, é capaz de tocá-las como algo familiar. Poucas coisas contribuem tanto para a desmoralização dos intelectuais. Quem quiser subtrair-se a ela, tem que considerar todo conselho a dar atenção à comunicação como uma traição ao que é comunicado.


[Theodor W. Adorno. In: Minima Moralia]

1 Anátemas

Blogger Leandro Jardim disse...

será?

E esse discurso em si, foi claro? Foi traidor de si próprio?

hehe...
abração Ponce

Jardim.

11:43 AM, agosto 24, 2007  

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