segunda-feira, agosto 27, 2007

Paul Celan I

ESTOU SOZINHO, coloco a flor de cinza
no corpo cheio de negrume amadurecido. Boca de irmã,
tu dizes uma palavra que sobrevive diante das janelas,
e sem ruído trepa, o que eu sonhei, por mim acima.

Estou de pé na profusão das horas murchas
e poupo uma resina para um pássaro tardio:
ele traz o floco de neve nas penas vermelho-vivo;
com o grão de gelo no bico, atravessa o verão.


(tradução de Y. K. Centeno)


[Paul Celan. In: Papoila e Memória]

2 Anátemas

Blogger Carol Marossi disse...

Celan, adoro Celan. Congrats, Ponce!
Ah, e gostei da referência ao Adorno aí embaixo.

Besos!

9:36 PM, agosto 27, 2007  
Blogger osrevni disse...

Me fez lembrar de uma exposição do Anselm Kiefer que teve no Grand Palais este ano; uma parte das obras era em homenagem ao Celan. Demais!

11:15 AM, agosto 28, 2007  

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