quarta-feira, agosto 29, 2007

Paul Celan III

UM OLHO, ABERTO

Horas, cor-de-Maio, frescas.
A não mais nomeável, quente,
audível na boca.

Voz de ninguém, outra vez.

Dolorosa profundidade do globo ocular:
a pálpebra
não barra o caminho, a pestana
não conta aquilo que entra.

A lágrima, a meio,
a lente mais nítida, ágil,
traz-te as imagens.


(tradução de Y. K. Centeno)


[Paul Celan. In: Grelha de Linguagem]

1 Anátemas

Anonymous Carol Marossi disse...

Muito bonito, Ponce, mas o meu preferido do Celan é "com a mão cheia de horas, assim tu me
vieste - e eu disse:
o teu cabelo não é castanho [...]".
Acho fantástico!


Agradeço teu comentário carinhoso nos tomates, mas creio que ainda tenho um longo caminho a percorrer antes de conseguir me auto-entitular 'poeta', essa palvavra estranha.
Vou-me que os livros já me chamam.

Beijo e sorte com as postagens diárias!

10:11 PM, agosto 29, 2007  

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