quinta-feira, novembro 22, 2007

A Leitura Crítica da Obra de Arte

É fácil reconstruir o significado simbólico, mas existem muitas coisas para as quais é impossível encontrar um significado simbólico (por exemplo, os seixos aos pés da cruz); essas coisas são evidentemente portadoras de um significado que nos escapa, mas no entanto é um significado. A obra de arte não é um particular que possui valor universal (como diria Benedetto Croce)? Então, se na dor de um indivíduo vejo o espelho da dor universal, o jovem Werther deixa de ser um apaixonado desiludido para se tornar modelo de uma geração. Há uma certa verdade nisso: na obra de arte tudo pode possuir muitos significados, muitas possibilidades de interpretação. Na obra de arte, não apenas é preciso buscar o valor de cada signo (um valor semântico, ou de comunicação), mas cada signo se apresenta também como sin-semântico, como significativo ao mesmo tempo de si e de outra coisa, como um termo de relação. Portanto, é impossível satisfazer-se com um significado unívoco, como fica claro pela leitura de algumas obras muito importantes.


(Giulio Carlo Argan. In: Clássico anticlássico)

2 Anátemas

Blogger Patrícia Namitala disse...

definir é limitar,,, e o limite é o não-limite... cada leitura é uma vida que interpreta a sua pró-pria vida.

8:37 PM, novembro 22, 2007  
Blogger Aline Aimée disse...

unívoco com certeza não. leituras várias são possíveis, desde que coerentes. não acho que qualquer interpretação seja possível num bom texto. também não vejo valor em narrativas tão nonsense, tão abertas que acabem gerando uma espécie de anarquia interpretativa.
mudando de assunto, suas poesias são muito boas. altamente contemporâneas e vc demonstra grande domínio da elipse e da sugestão. está de parabéns!

10:01 AM, novembro 23, 2007  

Postar um comentário

Criar um link

<< Home