sexta-feira, agosto 31, 2007

Paul Celan V

PILHA DE PALAVRAS, vulcânica,
afogada pelo rugido do mar.

Em cima,
a onda crescente da multidão
dos anti-seres: içaram
bandeiras - imagem e imitação
cruzam-se transitórias tempo fora.

Até que tu projectes para
longe a lua-de-palavras que faz
acontecer o milagre
e gera
crateras-como-corações
nuas para os começos,
para régios
nascimentos.

(tradução de João Barrento)


[Paul Celan. In: Sopro, Viragem]

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