sexta-feira, agosto 04, 2006

Exercício em tradução

Uma primeira tentativa.
Se puderem criticar, o façam; dar dicas, et cetera.
O livro sairá esse ano ainda se tudo der certo. Digo, o Imp..

Até!


Silêncio

Silêncio: um poderia com vontade
Consumi-lo, comê-lo como pão.
Não há nunca o bastante. Há,
Quando estamos calados, metais
Ragendo sobre estremecidos
Metais (uma porta bate; crianças
Choram); outras vidas nos cercam.

Mas lembre-se, não há
Silêncio interior; o estômago
Suspira, murmura. Que são
Essas fortes batidas, essa invocação?
Essa batera que bate, bate. Ouça
Sua barulhenta máquina mo-
Vendo-se em torno ao silêncio.


______


Silence: one would willingly
Consume it, eat it like bread.
There is never enough. Now,
When we are silent, metal
Still rings uppon shuddering
Metal; a door slams; a child
Cries; other lives surround us.

But remember, there is no
Silence within; the belly
Sighs, grumbles, and what is that
Loud knocking, that summoning?
A drum beats, a drum beats. Hear
Your own noisy machine, which
Is moving towards silence.



Edward Lucie-Smith

12 Anátemas

Blogger ana rüsche disse...

olá!

lindo, lindo o poema! quem é o cara? não conheço.

passei para desejar bom final de semana e dizer que renderam os comentários lá no Medianeiro.blogspot, hehehe.

beijinhos

6:20 PM, agosto 11, 2006  
Blogger vinicius baião disse...

Gostei mais da tradução que do original.

4:56 PM, agosto 14, 2006  
Blogger ana rüsche disse...

esse poema é mesmo lindo. passei para ver what's up e deixar um beijo.

12:51 AM, agosto 16, 2006  
Blogger Thiago Ponce de Moraes disse...

Esse poeta, Edward Lucie-Smith, nascido em 1933, editou uma antologia, na qual ele aparece com esse e outros poemas, chamada "British poetry since 1945".

Editou, ainda, muitas outras antologias, incluindo uma de poesia francesa (French poetry: the last fifteen years), livros de "própria autoria" e traduções.

Beijos e abraços.

8:09 AM, agosto 16, 2006  
Anonymous Guigga disse...

Mande-me o Imp. devolvo-te pronto para ir para Editora! =]

2:40 PM, agosto 24, 2006  
Blogger Cecilia Cavalieri disse...

saudades.

beijos.

11:37 AM, agosto 25, 2006  
Blogger Fábio Aristimunho disse...

Boa escolha para a tradução, Ponce.
E o livro, como vai se chamar?
Abraço

2:04 PM, agosto 28, 2006  
Blogger Wilson Guanais disse...

gostei muito daqui, volto mais vezes.
abraço

5:14 PM, agosto 29, 2006  
Anonymous B. disse...

Tradução e traição: bom clichê. A tradução de uma poesia pode ser outra poesia... é só mais uma das possibilidades que as coisas tem em si, seus ecos e reflexos.

Só faria umas observações meio chatas, até me desculpe, mas sigo seus pedidos. "Essa batera que bate, bate" e "movendo-se em torno ao silêncio": por que não "uma bateria que bate, uma bateria que bate" e "movendo-se em direção ao silêncio"?

Abs.

11:20 PM, agosto 29, 2006  
Blogger Cristiano Contreiras disse...

e o silêncio invade o pleno sentir do ser extremo. Suspiro e murmúrios o definem.

3:25 AM, setembro 01, 2006  
Blogger Thiago Ponce de Moraes disse...

Caro Beethoven;

grato pelos comentários.

Deixe-me tentar justificar as escolhas:


1) "Essa batera que bate, bate": havia pensado em "A bateria que bate, bate". Dessas duas formas, tenho as tônicas na 4ª, 7ª e 9ª; intuindo, de algum jeito, o ritmo da bateria a bater e bater (que, ao meu ver, é a intenção do autor). Com a forma que sugeriu, há dois problemas, na minha opinião: quebra rítmica e agigantamento do verso.

2)"movendo-se em torno ao silêncio" me pareceu mais coerente com o que o texto vinha desenvolvendo. A impressão que tenho é de algo em volta mesmo; como o corpo que é composto pelas coisas ditas e que nunca silencia, et cetera.

Mas, enfim, a coisa é essa: tradução é um problema. Uns dizem que poesia, de fato, é o que se perde na tradução.
É o que parece.

Um abraço.

Grato, também, aos outros comentários.

7:29 PM, setembro 06, 2006  
Blogger ana rüsche disse...

oi, ponce!

vi o recesso no alga e passei para deixar um beijo. thanks pela nota sobre o autor, realmente não conheço, um dia irei atrás.

beijinhos, depois me escreve sobre abreu praxe.

11:50 PM, setembro 12, 2006  

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