quarta-feira, dezembro 05, 2007

Os latinos III - Petrônio

O verdadeiro prazer


Grosseiro e rápido, o prazer da união
enfara-se de Vênus mal chegada ao termo.
Não vamos pois, como animais libidinosos,
acometê-lo cegos e precípites,
que o amor assim languesce e morre a sua flama.
Mas antes, antes, num feriado interminável,
fiquemos a beijar-nos sobre o leito!
Não haverá cansaço nem rubor;
isso nos agradou, agrada e agradará;
isso jamais termina, é um começar sem fim.


(tradução: Péricles Eugênio da Silva Ramos)


(Petrônio. In: Poesia grega e latina)

3 Anátemas

Blogger Leandro Jardim disse...

Muito bom mesmo, eu não conhecia...

abs
Jardim

5:15 PM, dezembro 05, 2007  
Blogger Tati disse...

Retomando: concordo, discordando. Rs
Porquê: é bastante claro que a obra de arte guarda um caráter essencial que sobrevive às diferentes épocas, sociedades, históricos, etc. É o sublime, o dionisíaco e que escapa à beleza material do objeto artístico (tomemos como exemplo os ready-mades; muito se apreende deles, dificilmente o belo). O próprio Croce, citado por você, ajuiza a análise estética mais como intuição, percepção (já que esta sim produz imagens análogas com o universo da obra fruida) que como contextualização.
Até aí, seguimos o mesmo caminho. Quando digo que a obra se opera também no apreciador, não desconsidero em hipótese o argumento acima. Ele é primordial para que se perpetuem Homeros, Balzacs, Joyces, Schieles, da Vincis, Debussys e cia ltda.
O indivíduo de fato não permanece o mesmo, assim como o contexto ao seu redor se modifica também; mas é no indivíduo que a obra se realiza e é através dele que ela se torna arte. Há pouco tempo, uma milícia taleban (talibã, talebã, cada lugar escreve de um jeito. rs) destruíu duas estátuas gigantes de Budas consideradas parte do patrimônio artístico mundial. Mais que uma questão meramente política, a pergunta é: até que ponto os talebans (ou outros indivíduos quaisquer) poderiam escapar a sua individualidade sensorial e fruir de uma obra de arte em sua essência?
Aliás, o que faz a essência de uma obra de arte? Não pode ser a unanimidade mas dizer que ela se perpetua é, de certo modo, dizer que ela é praticamente unânime ao longo da história, não? Uma obra incompreendida por quase todo mundo continua sendo arte? E, pra não me prolongar, quem avaliaria o essencial de tal obra? Se não é no indivíduo que o essencial se manifesta, onde seria?

7:10 PM, dezembro 05, 2007  
Blogger Tati disse...

Quando digo "individualidade sensorial" quero dizer a introjeção inconsciente de aspectos sensoriais depois manifestos em nossos juízos, ações, gostos, etc.

7:15 PM, dezembro 05, 2007  

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